Desinformação e os impactos na vida dos participantes de fundos de pensão

  • 12 de setembro de 2025

Por Patrícia Cunegundes, jornalista, doutora em Comunicação e gerente de Comunicação Institucional do Postalis

A desinformação é um fenômeno complexo e multifacetado, que afeta diretamente a vida dos participantes de fundos de pensão. Mais do que simples boatos, ela envolve a disseminação de informações incorretas, imprecisas ou fora de contexto, com potencial de confundir, induzir ao erro e distorcer a percepção da realidade. No universo da previdência complementar, esse tipo de conteúdo pode comprometer decisões financeiras cruciais, abalar a confiança nas entidades gestoras e fragilizar o sistema como um todo.

A desinformação circula por diversos canais — redes sociais, grupos de WhatsApp, blogs e até veículos da imprensa tradicional — e muitas vezes se apresenta com aparência legítima, técnica ou jornalística. O fenômeno da desordem informacional, caracterizado pela abundância de dados contraditórios e pela dificuldade de discernir fatos de opiniões, cria um terreno fértil para a viralização de conteúdos nocivos. Esses conteúdos, por sua vez, podem ser impulsionados por ações coordenadas, que envolvem redes estruturadas de atores com o objetivo deliberado de ampliar o alcance da desinformação.

No contexto dos fundos de pensão, os impactos são concretos. Participantes expostos a narrativas falsas ou distorcidas podem realizar resgates antecipados, perder benefícios e até judicializar questões que poderiam ser resolvidas com informação clara. A linguagem sensacionalista — como o uso do termo “rombo” para se referir a déficits técnicos — contribui para a criação de um ambiente de pânico, alimentando a polarização e a desconfiança.

Casos reais ilustram esse cenário. A Previ foi alvo de rumores infundados sobre déficits. O Postalis enfrentou a circulação de notícias antigas como se fossem atuais, além de interpretações equivocadas sobre sua patrocinadora. A Operação Greenfield gerou condenações públicas antes mesmo de qualquer julgamento formal. Esses episódios revelam como a desinformação pode se apoiar em comportamentos inautênticos, como a criação de contas falsas ou o uso de bots para amplificar mensagens enganosas.

Para enfrentar esse desafio, é essencial investir em educação midiática, educação informacional e educação para a cultura democrática. Essas abordagens fortalecem a capacidade crítica dos participantes, permitindo que avaliem a credibilidade das informações e desenvolvam resistência a narrativas manipuladoras. Estratégias como o prebunking — que consiste em alertar previamente sobre táticas de fraude e manipulação — e o debunking — que expõe elementos falsos de uma afirmação — são fundamentais para combater a desinformação de forma eficaz.

Além disso, os fundos de pensão e suas entidades representativas devem assumir um papel ativo na qualificação do ambiente informacional, promovendo a transparência, a escuta ativa e a comunicação não-violenta. A comunicação institucional precisa ser estratégica, clara e acessível, com foco na formação de participantes conscientes e preparados para reconhecer e reagir à desinformação. Os participantes e assistidos devem exigir isso de suas entidades, ao mesmo tempo em que devem buscar ferramentas para se defender da desinformação.

A desinformação representa um risco sistêmico, capaz de comprometer a estabilidade de instituições democráticas e a segurança financeira de milhares de brasileiros. Mas o participante bem informado não apenas toma melhores decisões — ele também contribui para a proteção do sistema como um todo. Por isso, reforçar a rede de confiança e verdade é um compromisso que deve ser compartilhado por todos os envolvidos na previdência complementar.

Outras notícias

Conexões Previc aprofunda debate sobre governança e comunicação no sistema de previdência complementar

Seminário reúne especialistas e reforça a importância de linguagem simples e transparência para fortalecer a relação com participantes A série…
Leia mais

Resolução da Previc reforça comunicação centrada no participante nas entidades de previdência

A comunicação com participantes e assistidos passa a ocupar lugar mais claro na governança das entidades fechadas de previdência complementar.…
Leia mais

Anapar defende participação dos trabalhadores no lançamento da Agenda Legislativa da Frente Parlamentar dos Fundos de Pensão

O lançamento da Agenda Legislativa 2026 da Frente Parlamentar Mista pelo Fortalecimento das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) reuniu…
Leia mais

Primeiro Conexões PREVIC debate integridade e diversidade nas EFPC

O setor de previdência complementar fechada iniciou março com um novo espaço de diálogo e reflexão. Nesta sexta-feira (6/3) foi…
Leia mais